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COMPAREÇA AO LANÇAMENTO DO LIVRO ![]() Revela ele nestes traços toda a sua sensibilidade para com as coisas do cotidiano, bem como para com pessoas queridas e que exerceram papel de destaque em sua vida ou perante seu ministério pastoral. Quem conheceu o autor de perto, não imaginava que entre seus diversos afazeres ele fosse encontrar tempo e motivação para registrar o sorriso de um neto, uma canção de ninar e outras formas de poesia que é a maneira mais bela de se dizer as coisas. Extremamente acanhado em externar seus sentimentos, fruto de uma infância pobre, sonegada de carinhos, marcada por uma orfandade precoce que o acompanhou pela vida afora. Malgrado a madrasta sorte ele sempre gostou de literatura, da prosa e verso. Estudioso do nosso vernáculo chegou a ser considerado um notável orador sacro da Bahia, sendo muito requisitado para proferir série de conferências em diversos campos, inclusive em outros Estados. Seus versos traduzem sentimentos e obedecem à métrica, a rima e outras construções poéticas na forma Camoniana ou Bilaquiana, por ele defendida. Apreciava as belas poesias e sonetos de Guilherme de Almeida, Bilac, Guerra Junqueiro, entre outros, sem depreciar os versos populares de vates como Catulo da Paixão Cearense, Luiz Gonzaga ou Patativa do Assaré. A timidez foi uma constante na vida do autor por ter, segundo ele, sofrido o frio da orfandade, na melhor fase de formação do seu caráter e personalidade. Teve dificuldade em transmitir as pessoas afeto, amor e carinho, por não haver recebido estes valores de ninguém na zona agreste onde nasceu, exceto do pai, segundo ele, seu herói. Seu livro Asperezas da Caminhada revela sua dificuldade em se ajustar socialmente a um mundo diferente do qual fora criado. Para ele foi difícil na sua vida e ministério pastoral ter de dar a muitos o que recebeu de poucos: calor humano e amor. Lira Eclética mais parece um resgate reprimido pela confissão de um órfão, que remonta a falta de uma estrutura familiar no tempo oportuno lhe deixando marcas devido sua sede de saber, visto que só começou aprender a ler aos dez anos no roçado com o pai, viúvo, tendo como cartilha de ABC um exemplar do jornal "A Tarde". Seu aprendizado regular de ensino teve inicio quase após atingir a maioridade. Suas últimas crônicas revelam o interesse dele por assuntos de diversos matizes, pois era, sobretudo, um liberal. Emite opiniões sobre temas que só se referia em seus sermões doutrinários, en passant, como é o caso dos santos católicos. Manifesta em versos seu amor para com pessoas de sua estima, revelando coisas que ele, por vergonha, nunca diria pessoalmente. Fala de política, futebol, e por aí vai. Acabrunhado de origem, sua timidez só terminava quando subia ao púlpito para pregar, quando então sua verve se apresentava em todo o seu esplendor. É por essas e outras que seus filhos, netos e afins, resolveram lhe prestar esta homenagem póstuma publicando Lira Eclética, pois sabemos da expectativa dele em tornar público este livro o que estamos a fazer no centenário de seu nascimento, em 19/09/2010. Este documento é para a terceira e a quarta geração, hoje conhecida como netos, bisnetos, sobrinhos etc., amigos e descendentes, irmãos e companheiros de caminhada. É muito simples de ler, fácil de fixar seu conteúdo. O importante é não deixar passar despercebida uma vida tão rica de virtudes e exemplos. Que vocês possam ser abençoados com tamanho rastro que está disponível para suas pisadas. Leia, divulgue e enriqueça este livro ele é um patrimônio que poucas famílias têm o privilégio de ter uma obra de um pastor da segunda geração de pastores batistas do Brasil. O leitor poderá, ao ler este livro, dizer como Olavo Bilac -"ora direis ouvir estrelas, certo perdeste o senso"... (que finaliza) - pois só quem ama tem ouvidos para ouvir e entender estrelas". Parodiando o grande poeta parnasiano direi: pois só quem ama e conheceu o autor terá olhos para ler e entender Lira Eclética. Panreginaldo Sampaio |
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